Maria Ribeiro

Temporalidades simultâneas nas redes sociais digitais: um estudo de caso

Em 1994, hutus e tutsis assistiram ao assassínio de estimados 800 mil cidadãos ruandeses. As Radio Télévision Libre de Mille Collines (RTLM) e outras estações populares, dirigidas por extremistas hutus, incitaram o genocídio ao divulgar informações fantasiosas e inflamar o ódio entre os grupos étnicos. Muitos hutus construíram sua versão do outro, a partir das descrições propagandeadas pelas citadas radiodifusoras. Parcos dezesseis anos mais tarde, manifestantes da chamada Primavera Árabe lançaram mão das redes sociais da internet (RSIs) para mobilizar seus pares e a comunidade internacional contra os abusos impingidos pelos Estados (Tunísia, Argélia, Iêmem, entre outros). O episódio da Primavera sugere uma espécie de compressão espaço-temporal operada pelo uso dos dispositivos tecnológicos e das redes colaborativas (Santaella e Lemos, 2010). O presidente do Egito Hosni Mubarak, por exemplo, renunciou dezoito dias após o início dos protestos, encerrando trinta anos de governo autocrático. O artigo analisará ambos os episódios sob a perspectiva do poder centralizado (ocupado com a conservação do tempo presente) e do poder reticular (interessado na fruição de temporalidades simultâneas). São referenciais a Teoria-Ator-Rede de Latour, o conceito de rizoma em Deleuze e Guattari; além de Juntos: os rituais, os prazeres e a política de cooperação, obra recém-lançada por Richard Sennett (2012).

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