Patrícia Coelho

Jogos locativos e apropriação do espaço urbano

Com o desenvolvimento e crescimento da cultura digital, passamos a viver em uma sociedade que está cada vez mais conectada e dependente dos dispositivos digitais móveis, das redes sem fio e dos sistemas baseados em localização. Dessa forma, foi alterada nossa maneira de nos relacionarmos e compreendermos o espaço e as cidades. Este artigo apresenta um estudo de caso a partir do game locativo: Can You See Me Now (2001). Os jogos móveis locativos (JML) são chamados de pervasive games e aliam tecnologias digitais móveis a sistemas de geolocalização, criando, assim, interfaces entre os espaços eletrônico e físico para fins de jogos. A opção por este game, especificamente, deve-se ao fato de ter sido um dos primeiros e mais importantes jogos do gênero. São dois os objetivos deste artigo: (a) compreender como os jogos móveis locativos se apropriam de características lúdicas do espaço urbano para seduzir o jogador e (b) entender como o espaço da cidade interfere no desenvolvimento da narrativa. A metodologia utilizada nesta pesquisa será descritiva, partindo de uma investigação bibliográfica que se apoiará, principalmente, nos estudos de Lemos e Santaella. As empresas desenvolvedoras de games, ao se utilizarem do espaço da cidade para tornarem a narrativa do jogo mais interativa, exigem uma participação corpórea e espacial do jogador; e, possibilitam, assim, diferentes efeitos sensoriais e sinestésicos para o jogador. É a possibilidade de imersão e interação, a partir de um espaço físico de uma cidade, na qual o jogador necessita vencer desafios, que faz com que o jogador mantenha-se conectado ao game e continue jogando.

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