Maria Collier, Eduardo e Faria Fabio Mosane

Ocupe Estelita: um caso para se refletir sobre cidade inteligente

Do ponto de vista construtivo material, a cidade é a manifestação física das redes. Ela é formada por diversas camadas sobrepostas, ora articuladas, ora falhas ou congestionadas de redes. Configurando uma malha sígnica de fluxos diversos, sejam eles de pessoas, veículos, cabos de energia elétrica, telefonia, Internet, habitações ou capital, ergue-se a cidade contemporânea. Nesse contexto, concentração de capital vem afetando vorazmente as paisagens urbanas e os arranha-céus estão despontando nas mais diversas metrópoles de variados continentes. Neste artigo, serão discutidos os conceitos da cidade inteligente, da cidade para pessoas e do direito à cidade, referenciando autores de campos distintos (Castells, Lemos, Santaella, Gehl e Harvey). Ao longo da discussão, serão destacadas as causas e os modos de articulação em rede do movimento Ocupe Estelita e do grupo ativista Direitos Urbanos, os quais têm atuado no Recife desde 2012. Será dada atenção especial à propagação dos debates e da repercussão das questões levantadas pelos ativistas pernambucanos nas redes sociais digitais (Facebook, Twitter, YouTube), considerando suas produções online (videoclipes, cartazes, filmes documentários, posts, textos, fotografias etc.). Interessa pesquisar o caso do Estelita também como um fenômeno comunicacional e semiótico singular que integrou um protesto consistente a produções criativas coletivas, realizadas por voluntários de diferentes áreas (música, cinema, fotografia, publicidade, artes gráficas etc.) para mobilizar a juventude pernambucana em defesa de um novo sonho de cidade, uma cidade menos dura, menos excludente e, portanto, mais inteligente.