Ana Maria Di Grado Hessel e Fabio de Paula

Paradoxos no espaço urbano: a vigilância e a autopoiese

Em sociedades contemporâneas marcadas pela multiplicidade das identidades e da subjetividade, em que o significado moral de bem e mal se altera de acordo com espaço e tempo, o papel da vigilância no espaço urbano — oferecida pelo Estado em prol da segurança individual e coletiva — esbarra, em qualquer cultura ou momento histórico, na invasão da privacidade. Com os dispositivos digitais, a ubiquidade determina que esta vigilância ocorra de modo não visível, o que altera a percepção dos cidadãos acerca dos limites do anonimato e da ação governamental sobre o direito de pessoalidade. Como estruturas complexas e autopoiéticas, essas mesmas sociedades dependem da vigilância e do Estado, mas devem criar meios para que as ferramentas de vigilância tenham notoriedade. A arte pública cumpre um papel fundamental para que os indivíduos compreendam as fronteiras que o controle governamental — representado na vigilância ubíqua — pode ultrapassar dentro do espaço urbano.

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