Patrícia Fonseca Fanaya

Os jovens e as novas formas de cognição social: comunicação e representação a partir das redes digitais

Termos como coletividade, multidão, contágio, multiplicidade, multicomplexidade, entre outros tantos têm sido explorados à exaustão em tempos de redes digitais interconectadas e convergência de meios. E não sem razão. Com os adventos da globalização e da internet parece ter havido, de uma hora para a outra, um salto quântico da era do individualismo – como ficaram conhecidas as décadas de 80 e 90 do século passado – para outra cuja principal característica é o gerenciamento de um oceano de coletividades, mais conhecidas atualmente como redes. Ao mesmo tempo em que criamos nossas coletividades interconectadas digitalmente, nossas coletividades nos “criam” de volta; ao mesmo tempo em que nossos contatos e seus outros tantos contatos nos afetam, nós os afetamos de volta. Esse fenômeno, aparentemente novo e circular, tem um alcance muito maior e mais profundo do que se pode supor, e é também muito mais antigo do que apressadamente podem julgar alguns. Estou falando precisamente sobre cognição social. Por que é importante discutir isso? Porque esse processo de afetação mútua carrega consigo muito mais do que modismos e tendências contagiosas ou contagiantes nas redes sociais, além de merecer que se dê a ele mais atenção do que somente o da evolução tecnológica, ainda que esta seja realmente impressionante; ele traz em si milhares de anos de evolução da capacidade de adaptação da cognição humana aos artefatos materiais e às criações sígnicas que, com o passar do tempo cronológico e histórico, ou seja, de geração em geração, foram se acumulando e ao mesmo tempo se modificando. Portanto, todos os que usufruem atualmente dos artefatos digitais conectados em rede e em tempo real encontram o mundo e interagem com ele também a partir das instâncias de mediação que os precedem, apesar de, ao mesmo tempo, serem agentes ativos nos processos de adaptação e modificação da cognição social, ao longo do tempo. O papel das crianças e dos jovens torna-se crucial nesse processo de adaptação e modificação da cognição social porque são eles aqueles que, já nascendo e crescendo neste universo de artefatos e signos tal qual se apresenta hoje, são capazes de, por meio de aprendizagem cultural, criar a partir daí novas e poderosas representações cognitivas baseadas nas perspectivas de todos aqueles que os precederam. Este artigo tem como objetivo explorar as novas formas de cognição social que estão emergindo por meio da análise de alguns casos que evidenciam a adaptação e inovação nas formas de comunicação e representação nos ambientes interconectados e always-on das redes digitais. Para isso serão mobilizados os seguintes referenciais teóricos: Michael Tomasello, Andy Clark, Lucia Santaella, Alva Noë, Winfried Nöth, entre outros autores.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s