Patrimônio conectado

Por Patrícia Huelsen.

No último final de semana do mês de agosto, nos dias 27 e 28, ocorrerá a Jornada ao Patrimônio na cidade de São Paulo, uma iniciativa do Departamento de Patrimônio Histórico da Cidade (DPH) que está na sua segunda edição e que motiva os proprietários de imóveis tombados a abrirem seus imóveis para visitação.

A iniciativa é para tirar as pessoas de seus sofás e levá-las a conhecer os monumentos, casas e prédios tombados: um tour pelo que é “nosso”. É nosso e não sabemos!

No Brasil, não é nada fácil um local ser tombado. O processo pode ser realizado por três órgãos distintos com regras também complicadas. O órgão federal responsável pelos tombamentos é o IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional); o estadual é o CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio  Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico); e o municipal, o Compresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo). É necessária muita burocracia e anos para os processos se efetivarem.

Mesmo assim, supreendentemente, só no bairro de Perdizes, são 49 locais tombados. Sabe-se muito pouco sobre a história e a exata data das edificações do bairro: a maioria dos locais são de 1930 e 1940, ou seja, existem há menos de cem anos. A PUC SP, em conjunto com moradores do bairro de Perdizes, está organizando a Jornada do Patrimônio de Perdizes, com visitas monitoradas, palestras no TUCA e exposições. Há no bairro algumas relíquias: o sino que tocou na independência do Brasil e que fica na Igreja São Geraldo (ao lado do Minhocão) e o antigo convento das freiras descalças, onde hoje fica a PUC SP. Há muita coisa antiga: arcos, colunas, vitrais belíssimos, muito da arquitetura colonial e detalhes art nouveau.

Convento de irmãs Carmelitas descalças, atual prédio da PUCSP. Projeto de Alexandre Albuquerque. Foto cedida pelo CEDIC (PUC-SP)

Convento de irmãs Carmelitas descalças, atual prédio da PUCSP. Projeto de Alexandre Albuquerque. Foto cedida pelo CEDIC (PUC-SP)

No Brasil, a conexão do cidadão comum ou do turista com o patrimônio depende muito da educação. Mas falta também incentivo governamental: não há sinalização, dados históricos disponíveis e mal sabemos quais edifícios são tombados. Muito da história se perde porque os órgãos públicos não conseguem nem mesmo manter o patrimônio em pé, quanto mais manter viva a história do patrimônio material da cidade.

Alternativas que motivem o acesso do cidadão ao patrimônio podem ser bem-sucedidas, por meio das redes sociais e do uso da internet das coisas (IOT). Cada construção tombada poderia deixar sua história viva pela rede, com o uso de aplicativos móveis que identificassem a obra (uso de qr-code ou por identificação de imagens). Assim, poderíamos construir, progressivamente, a memória dos locais, vinculando-os à memória de quem vive e passa por lá! Um processo semelhante ao que vemos em outros países e que, por aqui, começou a ser feito no Cemitério da Consolação em São Paulo, onde pode-se acessar a história dos túmulo, identificados por qr-code. Afinal, Cidades inteligentes são construídas, preservadas e escritas por gente inteligente. Acompanhe mais iniciativas como esta e análises sobre o tema no livro lançado por este grupo: Cidades Inteligentes. Por que? Para quem?

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