Irmã Zuleide no Facebook: tá repreendido!

Por Patricia Coelho.

Atualmente, as páginas do Facebook têm sido invadidas com personagens fictícios, que chamam a atenção de seus usuários, seja pela ironia ou humor. Em outro momento, escrevi sobre Jaciara Macumbeira e hoje trago sua rival, ou melhor, sua principal interlocutora na rede, a conhecida religiosa: Irmã Zuleide. Irmã Zuleide, personagem fictícia, apresenta-se como a Serva do Senhor e ironiza que, apesar de não ser bíblia, tem uma página. Aliás, sua página na rede social conta, atualmente, com mais de 6.128.957 curtidas — o que evidencia a grande quantidade de visualizações que seu perfil alcança.

Ao acessarmos seu perfil, interagimos com posts do tipo: “Às vezes eu acho que a minha metade da laranja tá sendo espremida em outras bocas. Tá repreendido!” (12 mil curtidas) ou com mensagem sobre sua vida sexual “O problema dos erros é que normalmente eles beijam bem e metem gostoso. Tá repreendido em nome de Jesus! (13 mil curtidas) ou sobre sua vida amorosa “Só tô solteira até hoje pq não achei ninguém digno de namorar uma pessoa tão maravilhosa como eu” (21 mil curtidas). Todas as postagens realizadas por Zuleide ironizam suas relações sentimentais e sexuais — o que torna suas publicações divertidas aos usuários que verificam um personagem que se faz de santa mas é tomada por todas as pulsões Freud-Lacanianas como qualquer um de nós, independente da crença religiosa.

Por diversas vezes, Irmã Zuleide é provocada por Jaciara Macumbeira, que nos leva a evidenciar uma interação intencional entre os perfis das personagens fictícias, que retomam a página uma da outra, em uma relação dialógica e divertida, carregada de humor e ironia. Ambas as personagens se colocam como mulheres religiosas; no entanto, o que varia entre elas são os vocábulos pertencentes ao universo semântico de cada religião. Enquanto Irmã Zuleide, a evangélica, nos brinda com frases do tipo “Tá reprendido”, “Dica Gospel”, “beijos luz”, entre outros, Jaciara Macumbeira, a umbandista, ou como alguns preferem a espírita, se faz presente em sua página com pérolas como “Batuquemos”, “Chuta que é macumba”, “Volta para o mar oferenda” etc. Dessa forma, tanto Irmã Zuleide como Jaciara Macumbeira são reais para seu público.

Logo, como nos evidencia Santaella (2015), estamos, a cada dia, mais imersos em uma sociedade digital, na qual vivenciamos uma aceleração da comunicação e da multiplicidade de perfis, que cresce e toma conta das e nas redes sociais, pois o universo digital não é uma extensão de nossa vida ele é, de fato, nossa vida em uma realidade expandida.

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