“Não curti”: que os céus nos protejam

Por Anyzaura Voltolini

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Durante todas as semanas anteriores, vim desenvolvendo algumas ideias para esse post e planejava escrever sobre outros assuntos. Mas devido ao recente anúncio de Mark Zuckerberg e às diversas opiniões destacadas nos sites, portais de notícias e até mesmo no próprio Facebook, fui ligeiramente “obrigada” a também proporcionar aos leitores desse blog uma discussão.

Bom, então vamos à notícia: “Facebook terá botão ‘não curti’, afirma Mark Zuckerberg — Fundador da rede social falou que está desenvolvendo ação de ‘dislike’ – segundo portal G1, da globo.com.

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, falou sobre implantação do botão 'não curti' em evento da empresa

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, falou sobre implantação do botão ‘não curti’ em evento da empresa

Há tanto o que relevar em uma decisão como esta. Trazer um botão desse sentido numa plataforma que cultiva a amizade e compartilhamento pacífico (na maioria das vezes) de ideias pode, inicialmente, travar uma grande discórdia. Mark diz que sentiu a necessidade de oferecer uma opção diferente para os usuários demonstrarem suas emoções e sentimentos diante das notícias postadas. Em primeira aplicação, o botão “dislike” (“não curti”) seria utilizado para notícias tristes, em uma opinião geral dos usuários, e que mesmo sendo “dislike”, ainda há a promoção do bem.

Mark Zuckerberg explica que a mudança mais profunda será no algoritmo da plataforma. Ou seja, são ao “likes” dos usuários que definem o que a “timeline” deve expor: as preferências por notícias, fotos, vídeos e conteúdos em geral. Com o “dislike”, esse algoritmo será mais completo, fazendo com que a “timeline” exponha mais precisamente as preferências de cada usuário. “Ao mostrar cada vez mais o que de fato interessa a alguém, o site se tornará mais viciante” — Marcelo Tripoli

"O 'não curtir' ajudará a identificar esse tipo de conteúdo, que não recebe muitas curtidas hoje, mas ainda assim é relevante. O alcance dele tende a ser maior."

“O ‘não curtir’ ajudará a identificar esse tipo de conteúdo, que não recebe muitas curtidas hoje, mas ainda assim é relevante. O alcance dele tende a ser maior.”  — Fábio Malini

Como já disse, há muito que se discutir no âmbito teórico da comunicação vivenciada nas plataformas de sociabilidade digital, como o Facebook. Primeiramente, a ideia de uma “rede de afetos” (já exposta aqui por Lucia Santaella) se aprimora. Agora, há uma possibilidade contrária ao comportamento pacífico e fraterno promovido pelo Facebook até então. Claro que Mark Zuckerberg pretende estudar muito bem essa nova ação, pois alguma brecha esquecida pode dar margem à loucas batalhas. “Estudos já mostraram que receber uma curtida gera uma descarga de dopamina e gera prazer. Pense como seria o contrário. Se pudermos dar um ‘não curti’ para tudo, acho que muitas amizades serão desfeitas” Tripoli.

Além disso, a concorrência com a vida off-line é cada vez maior. Claro que hoje não podemos mais distinguir as duas realidades do nosso cotidiano — salvo alguns teóricos; mas, cá entre nós, o Facebook vem cada vez mais aprimorando seus recursos para melhor atender a todas as necessidades dos seus usuários. Já escrito também aqui, a evolução dos aplicativos e suas constantes atualizações vem dar margem a essa necessidade de acompanhar as vontades, emoções, ações e sentimentos dos usuários na vida cotidiana “off-line”.

Mas como iremos encarar um “dislike” na foto de perfil? Ou uma maior discordância em alguma frase autoral? Talvez seja difícil conviver com uma possibilidade de não aceitação, de impopularidade ou até mesmo de mágoa. “No Facebook, colocamos opiniões e posts que nos representam. Imagine publicar um texto e receber 40 ‘não curti’. Isso desestimularia as pessoas a usarem o site” Marques.

Em uma rede onde a aceitação e popularidade reinam — quantidade de “likes”, comentários otimistas e de motivação — uma possível contrariedade se torna a maior inimiga, provocando a ira afetuosa. Como diz o jornalista do TecMundo, Guilherme Dias, “que Deus tenha piedade de todos nós”.

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