Tessituras afetivas e poéticas para a aprendizagem em rede: convocatória

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Por Izabel Goudart

Este post é um convite e uma convocatória para juntos nos debruçarmos sobre os desafios da realidade educacional contemporânea e a necessidade de “mirarmos novos alvos com energia nos braços, muita atenção no olhar e vontade firme no coração”. Frase que tomo emprestada de Lucia Santaella ao finalizar um de seus capítulos do livro Comunicação Ubíqua — Repercussões na cultura e educação. Para aqueles que desejam arregaçar as mangas e colocar a mão na massa, está aberta a convocatória para colaboradores do LABICBR, que ocorrerá na cidade do

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Rio de Janeiro no período de 15 a 20 de novembro de 2015. http://www.ciudadania20.org/colaboradoreslabicbr/

O laboratório é parte do processo de Inovação Cidadã articulado pela Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) e no Brasil, pelo Ministério da Cultura do Brasil por meio de sua ação #Redelabs da Secretaria de Políticas Culturais, com colaboração do Medialab Prado. Já escrevi a respeito dessa iniciativa no post Redelabs: políticas públicas para os laboratórios cidadãos. Doze projetos de procedência ibero-americana foram selecionados para participarem do evento, que proporcionará a oportunidade de desenvolvimento colaborativo de suas propostas com a ajuda de equipes de trabalho constituídas pelos promotores dos projetos — um grupo de 108 colaboradores (nove por projeto). Haverá apoio continuado de quatro mentores especializados, de assistentes técnicos e de mediadores convidados. Você pode obter informações detalhadas dos projetos e da inscrição para colaboradores no site do Medialab Prado e do Cidadania 2.0. A chamada está aberta para todos que tenham interesse e desejo de participar na concepção e prototipagem de novas ferramentas, plataformas e ações dos projetos de inovação cidadã selecionados.

Um dos projetos selecionados, o Aprender Brincando: tessituras afetivas e poéticas para a aprendizagem em rede, é de minha autoria e uma resposta para a demanda de mirarmos novos alvos na educação. Desde 2012, vem sendo desenvolvido o laboratório aberto de aprendizagem em rede denominado Aprender Brincando: uma experiência colaborativa, no Colégio de Aplicação da UFRJ, localizado na cidade do Rio de Janeiro; e, a partir de 2014, na Escola Estadual Antônio Quirino, uma escola rural na região de Visconde de Mauá-RJ. Aprender Brincando é um projeto que propõe a realização de laboratórios abertos nômades em escolas públicas brasileiras para o desenvolvimento de projetos colaborativos na interface entre arte, ciência, tecnologia e educação utilizando tecnologias sociais e de comunicação contemporâneas e tradicionais. A ideia de laboratórios nômades baseia-se na proposta de realizar as atividades em qualquer espaço físico com o uso de dispositivos móveis como laptops, celulares, pads, kits de arduíno para computação física, roteadores para gerar uma rede wi-fi livre e um servidor com alguns programas e serviços. Também há outros recursos, como linhas, agulhas, tecidos, fios condutores para a tessitura de redes manuais e digitais, que são disponibilizados para o público participante, independentemente da estrutura oferecida pelas escolas.

Há muito a investigar e desenvolver e, principalmente, o desafio de tornar essa experiência replicável e passível de ser apropriada por escolas e comunidades no contexto ibero-americano agregando e ao mesmo tempo preservando nossa diversidade e especificidades. Vamos tecer essa rede? Esperamos prototipar um kit contendo uma coletânea de objetos digitais e analógicos para que possibilitem a realização de tessituras afetivas e poéticas para aprendizagem em rede em escolas e espaços informais de aprendizagem que atuem com um público infanto-juvenil e criar uma rede iberoamericana de desenvolvimento, disseminação e trocas de dinâmicas, estratégias e metodologias voltadas para este fim. Daí a importância da concepção e prototipagem de um Kit, denominado aqui de Caixa de Costura, como um dispositivo disseminador de tecnologias sociais para a formação de crianças e jovens na tessitura de redes.

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Propostas para prototipagem do kit: hardware e software com instrução para a criação de redes livres; pendrive contendo uma coletânea de objetos digitais de código aberto que possam promover a construção colaborativa de conhecimento; Ainda, o kit inclui linha, agulha, tecidos e materiais diversos para realizar dinâmicas poéticas, lúdicas e interativas, que utilizam o bordado, a costura, o tecer, o fazer com as mãos na criação de vínculos e afetos na tessitura de redes; e um livro-rede, contendo: uma coletânea de contos e histórias latino-americanas sobre o tecer; dinâmicas e metodologias poéticas e lúdicas que possam contribuir na formação de multiplicadores, que atuem na formação de nossas crianças e adolescentes para a aprendizagem em rede e tessitura de redes para a autonomia criativa e intelectual de cada indivíduo.

Tecer redes livres, redes de afeto, redes para aprendizagem em rede, laboratórios abertos é uma tarefa de muitas mãos. Os vínculos são sutis e aquilo que ata a rede é quase imperceptível e se transforma a cada momento, diferindo em cada comunidade. Como propiciar tecnologias sociais que possam atuar na formação de nossas crianças e adolescente para o exercício de uma cidadania fundamentada em uma ética da conectividade? Como promover uma educação formal e informal que tenha por fundamento a participação, partilha e colaboração e o desenvolvimento de dinâmicas de aprendizagem em rede, produção colaborativa de conhecimento, transmissão e preservação da memória, dos saberes locais e artesanais, gestão de recursos e de redes livres, de laboratórios cidadãos?

A educação tem um papel fundamental nesse sentido e, em especial, a educação de crianças e adolescentes. É urgente formar sujeitos que lidem com a complexidade do real em nossos tempos; formar crianças e jovens para a construção colaborativa de conhecimento, para a aprendizagem em rede e para o desenvolvimento e gestão de projetos colaborativos que integrem as diversas áreas de conhecimento e proponham iniciativas e soluções inovadoras que transformem o cotidiano das comunidades em que estão inseridos. Formá-los para “uma reflexão subjetiva sobre o futuro do espaço urbano a partir de modelos colaborativos que potencializem as relações sociais, o pensamento e as formas com as quais a comunidade se apropria desse espaço”, reflexões articuladas por Giseli Vasconcelos no excelente texto As Cidades, entre nós sensitivos e que nos remete à importância de formar nossa crianças e jovens para o exercício pleno de uma cidadania 2.0. Convido a todos para essa tessitura afetiva e poética, pois o afeto nos vincula e a poesia renova o ser.

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