Entre Sensações: da bidimensionalização dos Selfies à experiência dos Food Trucks

Por Mariane Cara

Capa do Buzina Food Truck no Facebook

Capa do Buzina Food Truck no Facebook

No último ano, pensamos nos fenômenos das redes sociais por diversas variantes, porém percebemos um enfoque particular a partir do prisma dos selfies. Claro, se fizermos um “Google” no termo, surgirão milhões de resultados — mais de 230 milhões, para ser mais clara. Não precisamos ir tão longe: em nosso blog tivemos nove posts circundando o tema em certo nível. E por falar em números, aqui estamos no décimo post, em mais uma tentativa de problematizar a vontade de tornar-se imagem.

Será que temos algo novo no ar?

Tirando a força do narcisismo, este por demais comentado, selfies são bidimensionalizações da experiência, ato de duplicação — pela imagem, momento em que a pessoa se torna signo externo ao corpo carnal, reincorporado eletronicamente por meio de outros signos pixelados, que são erigidos a partir de códigos culturais e coerções sociais, em mínimos pontos que representam o Eu.

Por vezes, sentimos que o ato de bidimensionalização (tanto dos selfies quanto da vontade de registrar imageticamente as vivências por meio dos smartphones) torna-se o nosso ser-no-mundo telemático. Os eventos, as viagens e o compartilhamento de momentos sociais são assaltados por milhares de imagens capturadas pelos dispositivos devidamente empunhados, gravando cada instante, para logo depois se perderem no infinito número de imagens soltas nas galerias do celular. Não experienciamos a presença, a visualizamos por meio das telas, produzimos um excesso de bidimensionalidades, que serão compartilhadas e multiplicadas nas redes, YouTube, e outros pontos desterritorializados.

Neste momento incrível da bidimensionalização imagética, o Google+ capta a vertigem das imagens e começa a facilitar a organização de nossa história retratada. Tive esta experiência no início do mês quando viajei e, ao chegar em casa, recebi um e-mail com o título Story Ready to view: Thursday night in Paris, que pode ser conferido na imagem a seguir:

Tela de e-mail recebido

Tela de e-mail recebido

De fato, logo após capturar as imagens pelo celular, o próprio Google+ organizou sequencialmente as fotos, montou um álbum, deu um título e mandou rapidamente o link para compartilhamento. Todos podem acessar.

Em nenhum momento da história das mídias, vivenciamos tamanha importância da bidimensionalização da experiência, esta forma de nos tornarmos signo, essencialmente estampados. Mas queremos muito mais… precisamos sentir!

Neste ponto da extrapolação dos sentidos, aparece o fenômeno dos Food Trucks, tão em voga que viraram motivo de filme hollywoodiano como em Chef de Jon Favreau, ação de marketing para a Seara no Social Food Truck com a hashtag #experimenteseara e ações das mais diversas em shoppings e locais públicos, como o Festival Food Truck e eventos que já viraram tradição na Vila Madalena.

Como fazer um link entre a extrema bidimensionalização dos Selfies (e também de outras fotos) com o fenômeno dos Food Trucks? Um dos exercícios possíveis é pensar no desejo por outras experiências, que não visuais. Pode ser a vontade de abrir-se para as novas perspectivas do paladar, que desassocia-nos da pulsão puramente escópica. É uma outra forma de incitar o desejo por meio das redes. É buscar o nomadismo, tirar as rédeas da fixação pela tela, uma alternativa para respirar, porém sendo informado pelos meandros das redes sociais. Para conhecer mais dos movimentos de Food Truck, basta visitar o Facebook.

A gastronomia agora é socialmente (e devidamente) enredada.

(alguns Food Trucks no Facebook)

(alguns Food Trucks no Facebook)

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