A onipresença dos jovens nas redes digitais

Por Thiago Mittermayer

O colóquio: “A onipresença dos jovens nas redes digitais” surgiu como estratégia deste grupo de pesquisa que visava a mapear as diferentes perspectivas dos jovens nas redes digitais.

O evento aconteceu no dia 9 de dezembro de 2014, das 9h às 18h, na PUC-SP (campus Perdizes), Auditório Paulo Freire, em São Paulo. O colóquio teve o apoio da PUC-SP e do programa de pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), programa da mesma universidade, enquanto a organização ficou a cargo do próprio grupo de pesquisa.

Cerca de cem pessoas inscreveram-se no evento. O perfil acadêmico sobressaiu-se de uma mescla entre professores e alunos de graduação e pós-graduação das mais diversas universidades públicas e privadas de São Paulo. O público presente prestigiou, ao todo, duas palestras e quatro mesas redondas.

Portanto, este post será um resumo do evento, para você que não pôde estar presente e também para você que esteve presente, mas quer relembrar os principais assuntos discutidos.

A primeira palestra intitulada: “Ressonância cibernética: juventude e a onipresença na rede” foi apresentada pelo professor convidado Cleomar Rocha da Universidade Federal de Goiás (UFG). Rocha argumentou sobre como os processos interativos definem as relações interpessoais e que os interesses comuns dos jovens podem acentuar as suas próprias redes de relacionamentos. O pesquisador apresentou o Media Lab, uma mistura de laboratório e grupo de pesquisa que atua no desenvolvimento e inovação tecnológica em mídias interativas na UFG.

Na segunda palestra, “Os jovens como termômetro do Zeitgeist”, Lucia Santaella colocou em pauta a hipótese de que os jovens detêm as cifras do presente, propondo-se como termômetros do Zeitgeist (espírito do tempo). Santaella lançou alguns questionamentos na sua fala como: “Por que os jovens não se separam de seus celulares, a não ser sob pressão externa?” e “Por que os jovens aprenderam a driblar as eventuais proibições das hierarquias escolares para sobreviver à chatice do confinamento em salas de aula?”.

Com o fim da segunda palestra, Cleomar e Lucia abriram espaço para perguntas e respostas. O debate foi acalorado e durou cerca de 20 min. Sem dúvidas, as duas palestras e o debate foram o ápice do evento.

Após um pequeno intervalo, iniciou-se a primeira mesa redonda do evento, intitulada Afetividades.

O primeiro a se pronunciar foi Marcelo de Mattos Salgado com o tema: “A gamificação do romance entre os jovens”. Marcelo discutiu os laços afetivos construídos pelos jovens brasileiros de São Paulo, por meio das interações em aplicativos Tinder e Hot or Not, que utilizam estratégias de gamificação em vários níveis. Para quem quiser saber mais sobre a pesquisa de Marcelo, basta ver o post: “It’s Match! Jovens e o jogo do flerte digital”.

O segundo tema da mesa Afetividades foi: “Imagens mutáveis: diluições fronteiriças entre o real-imaginário-simbólico nas postagens de adolescentes”, texto de Mariane Cara e Maria Collier. O principal objetivo da fala das autoras é a indagação sobre a multiplicação das imagens digitais que adolescentes têm expressado por meio de autoimagens e cenas cotidianas idealizadas publicadas nas redes sociais digitais de seus dispositivos móveis.

Assim que a fala de Mariane acabou, o debate entrou em ação. O público, que no início do evento estava um pouco tímido, sentiu-se mais à vontade com a temática do flerte digital e das autoimagens nas redes sociais digitais. De fato, o debate da mesa Afetividades foi o mais divertido.

A segunda mesa redonda, nomeada Cognição, iniciou-se com o vídeo de Kalynka Cruz sobre as: “Diferenças cognitivas entre usuários de ciberespaço”. No vídeo, Kalynka exibiu sua pesquisa sobre as diferenças cognitivas entre jovens usuários brasileiros do ciberespaço, de acordo com suas tipologias e níveis de imersão.

A mesa Cognição continuou com a fala de Patrícia Fanaya sobre “Os jovens e as novas formas de cognição social: comunicação e representação a partir das redes digitais”. Fanaya discutiu as novas formas de cognição social que estão emergindo entre os jovens, com a adaptação e inovação nas formas de comunicação e representação nos ambientes interconectados e always-on (“sempre ligados”) das redes digitais.

A última fala da mesa pertenceu a Patrícia Huelsen, que discutiu “A influência da tecnologia nos valores das gerações”. Huelsen explorou, a partir de um ponto de vista teórico, como a tecnologia e os sistemas de vida criados por ela serviram de moldura para os valores geracionais — as chamadas gerações, como os baby boomers, a Y, a X e a Z.

O debate foi aberto ao público. As perguntas e respostas da mesa Cognição foram enriquecedoras e serviram de base para a terceira mesa redonda: Educação, que teve seu início após o intervalo de almoço.

Magaly Prado abriu a mesa Educação com o texto “Participação do universitário conectado em sala de aula: um estudo sobre aprendizagem ativa”. A professora discutiu como a forma de troca de saberes, entre estudantes e professores, está diferente com os dispositivos móveis nas universidades.

A segunda a apresentar-se foi Izabel Goudart, com o texto “Presença, vínculos e redes: caminhos para inovação pedagógica”. Izabel enfatizou o desafio que a educação formal apresenta para encontrar caminhos de inovação pedagógica. E como resposta a este problema, Izabel apresentou o projeto: “Objetos de Afeto e tramas da escola: tecendo redes”, que propõem ambientes de aprendizagem que articulam a presença, o desenvolvimento colaborativo e uma comunicação em rede.

Hermano Cintra encerrou a mesa sobre Educação com a discussão: “De ’nativos digitais’ a ’fluentes digitais’: proposta para um caminho”. Em sua fala, Hermano alertou os ouvintes para o seguinte questionamento: “O que implica a qualificação ‘nativos digitais’ que atribuímos a crianças, adolescentes e jovens nascidos após a popularização da internet?”. Para Hermano, é necessária uma divisão básica entre acesso e compreensão das tecnologias dentro do universo dos jovens.

Os temas da mesa Educação acabaram e, assim, teve início o debate com o público. O momento demonstrou que a discussão do uso das redes digitais pelos jovens estudantes na educação parece ser uma das mais delicadas.

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 A última mesa redonda do colóquio foi a mesa Representação. A mesa começou com Eduardo D’Ávila de Faria falando sobre “Redes Sociais de Fanfics: O circuito da cultura e a apropriação de universos ficcionais entre os jovens”. Eduardo propôs uma análise do ambiente NYAH!, uma rede social digital que reúne jovens produtores de fanfics. Fanfics são histórias criadas por fãs que se apropriam do universo ficcional de uma série, quadrinho, livro, filme ou game.

O texto “Os Selfies: As Novas Relações dos Jovens com o Celular”, escrito por Patrícia Coelho e Mariane Cara, foi o segundo da mesa Representação. O ponto de partida da fala das autoras foi a capacidade da fotografia (re)significar uma identidade sociocultural e histórica. Para elas, “selfies” — ato de fotografar a si mesmo — publicados pelos jovens nas redes sociais transformam as próprias redes sociais em uma grande vitrine que permite aos jovens, por meio dos seus celulares, mudar seus costumes e as dinâmicas midiáticas da cultura contemporânea.

A última fala da mesa Representação foi realizada por este que vos escreve. Portanto, qualquer argumentação positiva é mera coincidência.

Com o título “O leitor ubíquo e a narrativa transmídia: jovens em destaque”, meu objetivo era relacionar os diferentes perfis cognitivos de leitores: contemplativo, movente, imersivo e ubíquo, desenvolvidos por Lucia Santaella, com o conceito de narrativa transmídia elaborado por Henry Jenkins. A relação entre os perfis cognitivos e a narrativa transmídia foi realizada mediante uma descrição do percurso narrativo que os jovens constroem no universo de Harry Potter.

Com o fim da minha apresentação, iniciou-se o debate com o público. As perguntas e as respostas evidenciaram a onipresença dos jovens na produção de conteúdo das redes sociais digitais.

O evento teve o seu fim com as palavras de encerramento de Lucia Santaella, que anunciou como fruto do colóquio o segundo livro do grupo. O título do livro será o mesmo do colóquio e a publicação terá os artigos completos apresentados pelos autores no evento. A editora será a CIAR — Centro Integrado de Aprendizagem em Rede —, vinculada à UFG. O livro terá a organização de Cleomar Rocha e Lucia Santaella.

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