Subjetividade nas redes sociais

Por Thiago Mittermayer

Um dos eixos temáticos sobre o qual Lucia Santaella discorre no livro A ecologia pluralista da comunicação: conectividade, mobilidade, ubiquidade da editora Paulus, em 2010, é a subjetividade nas redes sociais. O escopo deste post é apresentar os principais aspectos da subjetividade nas redes sociais digitais como vistos pela autora.

Santaella apresenta conceitos que são anteriores à emergência das redes sociais na internet, mas que já prenunciavam a construção intersubjetiva, conceito psíquico, em plataformas digitais.

A multiplicidade identitária no mundo digital

A ideia da multiplicidade identitária é levantada porque o caráter de comunicação linear nas redes sociais digitais é quebrado. O que existe é uma relação não linear entre indivíduos. Essas relações pode ser entendidas também como os diversos tipos de interações entre os indivíduos — e uma espécie de relação entre pessoas pode ser norteada por ambiguidade.

SociotramasSecret

Este aspecto ambíguo que as redes sociais digitais oferecem pode ser verificado, por exemplo, pelo potencial de anonimato na publicação de um determinado conteúdo — como é o caso do mais recente aplicativo Secret, que permite a publicação de segredos do indivíduos em anonimato.

Santaella destaca a visão sobre a subjetividade polifônica de Félix Guattari no livro Caosmose, de 1992: o autor manifesta a inexistência de um sujeito geral de premissa individual e exalta a existência de componentes parciais e heterogêneos de subjetividade e de agenciamento coletivos que trazem multiplicidades humanas.

Santaella argumenta que o conceito de multiplicidade identitária não é novo, mas alerta que a internet introduziu novidades nessa questão.

Infelizmente, o levantamento destas novas formas de construções intersubjetivas na internet — e de suas características — depende de pesquisas empíricas que demandam tempo para serem realizadas.

Redes sociais como sistemas complexos

A autora defende que as propriedades dos sistemas complexos auxiliam no entendimento das redes sociais digitais e são estas propriedades que permitem a verificação das novas formas de subjetivação.

Santaella apresenta a síntese de Peter Frye (2008) sob os sistemas complexos mostrando as seguintes propriedades: emergência, auto-organização, conectividade, coevolução, regras simples, variedade, espaço de possibilidades, subotimização, iteração, limiar do caos e estruturas dissipativas. Todas essas particularidades podem ser analisadas em maior ou menor intensidade nas mais diversas redes sociais digitais.

Portanto, conclui-se que as redes sociais digitais — com suas particularidades provenientes dos sistemas complexos — proporcionam comportamentos coletivos descentralizados por parte dos indivíduos.

E são estes comportamentos coletivos descentralizados que confirmam a construção de identidades e intersubjetividades por parte das redes, tendo cada rede social sua singularidade.

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