Anúncios tailandeses que digitam corações

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Nesses dias, circulou pela página do Facebook um link que trazia o título “O anúncio tailandês que fez o mundo chorar”. Assim, como usuária da rede e especialista em Comunicação, cliquei sobre o link e, ao final do comercial, percebi que o título era mesmo verídico, pois eu estava me acabando em lágrimas!

O objetivo desse anúncio tinha cumprido, pois, sua missão: alcançar o lado afetivo do receptor, atual interator; e vender, ou melhor, fixar sua marca, tornando-a conhecida em todo o mundo. Essa publicidade teve tamanho êxito que passamos — nós, internautas — a ajudar na divulgação dessa propaganda por meio do compartilhamento em nossas páginas sociais. Isto é feito quase sempre acompanhado por um comentário emocionado — e, normalmente, positivo sobre o mesmo.

Após ter me derretido em lágrimas com esse anúncio, passei a indagar se tal publicidade era um tipo único ou se a Tailândia se caracterizava por criar anúncios a partir desse formato. Sabemos que, quando falamos em propaganda, em geral — ou melhor, quase sempre — falamos em manipulação (CARVALHO, 2004) e nos aspectos que envolvem uma campanha com o intuito de levar o receptor-interator a fazer-saber e, consequentemente, fazer-fazer: comprar. Portanto, parti para um estudo sobre a estrutura manipulativa criada pelos publicitários tailandeses.

Ao iniciar minhas pesquisas pela internet, em especifico, o YouTube, encontrei distintos anúncios tailandeses intitulados: “A garota surda e o violino”, “El Silencio del Amor” e “El amor de padre a su hija”. Essas três publicidades confirmaram minhas hipóteses sobre a estrutura narrativa visual de se pensar e criar anúncio na Tailândia.

A primeira propaganda reitera e dialoga com a história de vida do mestre da música Beethoven; e as outras duas tratam das relações de amor e os conflitos que se estabelecem entre um pai e uma filha.

Dessa forma, assim como no primeiro anúncio mencionado, o receptor-interator acaba de assistir as propagandas provavelmente chorando. É muito difícil terminar de assistir a esses anúncios sem que os mesmos tenham despertado intensos sentimentos no receptor-interator. Logo, o que caracteriza o estilo tailandês de criar e pensar publicidade está, em primeiro, alcançar a emoção; e, assim, prender a atenção do consumidor. Por último, apresentar o produto, a empresa — e, consequentemente, a marca.

Assim sendo, as propagandas tailandesas cumprem com excelência seu papel, enfatizando os valores éticos e sociais de nossa sociedade — e apresentam, em última instância, seu produto de forma aparentemente despretensiosa e casual. Isto acontece porque qualquer pessoa que assista essas propagandas provavelmente fixará o nome do produto, tamanha persuasão e manipulação construídas nessas publicidades. Logo, verifica-se que o receptor-interator — consumidor — cumpre dois papéis: 1) recebe, ou seja, assiste a propaganda; e 2) divulga com seus amigos a partir de sua rede social. Dessa forma, é possível notar que a cada dia transformamos nossos hábitos e ações por meio da colaboração com diferentes empresas e campanhas publicitárias que já contam com nossas ações interativas, por meio da mídia espontânea de compartilhar e divulgar seu produto nas diferentes plataformas digitais.

Por Patrícia Coelho

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