GPS do amor: a digitalização da paquera

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Foi muito engraçada a escolha do objeto para escrever este post. Não pesquiso o relacionamento amoroso e, muito menos, a exposição virtual dos internautas neste âmbito sentimental. Porém, quando me dedico a conhecer as diferentes manifestações de socialidade presentes nas redes digitais — foco em que se encaixa a esta pesquisa —, acabo me deparando com atuações inusitadas e muito interessantes. Comparando ao meu post anterior, a #spotted é uma maneira informal e o Tinder, algo mais oficial que torna sua adesão voluntária. Bom, vamos ao que interessa.

O Tinder, já conhecido por muitos internautas, é um aplicativo construído pela união da rede social com a mobilidade, considerada seu diferencial. O usuário, primeiramente, faz o login com seu perfil no Facebook e, assim, o app pode traçar coordenadas de afinidades, o que aumenta a probabilidade de encontrar a “pessoa certa”. Além das afinidades — que são detectadas pelos likes em fanpages, filmes, músicas e livros expostos no perfil do Facebook —, o Tinder busca pessoas geograficamente próximas, que são mais “fáceis” de se achar, caso ocorra um encontro cara-a-cara. Para Eduardo Bianchie, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, apps como o Tinder possibilitam que as pessoas tenham relações diferentes com a cidade: eles tentam recriar a cidade a partir dos hábitos sociais de cada usuário.

Segundo um dos criadores do aplicativo, Justin Mateen, o Tinder é só uma forma de dar início a um relacionamento; já o resultado pertence a cada um. O Tinder recria a sensação da “paquera”, do conhecer pessoas diferentes, mas com o mesmo objetivo afetuoso. Antes, sites de relacionamento não eram bem vistos por jovens, sendo adotados somente por solteiros com mais de 25 anos de idade. Agora, sites e aplicativos relacionados ao tema são só mais uma forma de conhecer pessoas diferentes e interessantes.

Tenho que confessar que testei o Tinder para escrever este post e, particularmente, é apenas mais um caminho superficial de iniciar uma conversa com pessoas desconhecidas. Na verdade, é muito divertido observar a interface do app, seu design, seu funcionamento e sua usabilidade. Além, é claro, as fotos dos perfis, as frases sugestivas e as conversas que surgem.

É bastante interessante sua funcionalidade. Parecido com um game, ele oferece uma maneira fácil e bem viciante de interação. Basicamente, o usuário sustenta sua escolha pela beleza exposta nas fotos de perfis e, assim, pode classificar se seu pretendente está à esquerda — rejeitado — ou à direita, aceito. Os movimentos touch exigidos são próprios para smartphones Android e iOS e o app já inclui bate-papo. Mas, detalhe: você só consegue partir pra conversa se houver reciprocidade da pessoa selecionada.

O aplicativo é bem recente no mercado — foi criado em 2012 —, mas só este ano ficou conhecido. Aqui no Brasil, a fama do Tinder começou há pouco, até mesmo por falta de adeptos. Acredito que a cultura do país influencia muito na adesão a aplicativos como o Tinder.

“O Tinder é mais do que um aplicativo para encontrar novos pretendentes. (…) Representa o interesse antigo do ser humano em conhecer novas pessoas, com privacidade e certa discrição”

TinderSociotramas02_Anydiz Justin Mateen, 26 anos, em entrevista exclusiva ao site de VEJA

O Brasil já está entre os cinco países que mais utilizam o app. A adesão cresce de 5% a 10% por dia e o tempo de uso, em média, é de 11 acessos por dia, sendo que em cada acesso o usuário passa sete minutos no aplicativo. São Paulo e Rio de Janeiro foram as cidades que mais aderiram.

Como exemplo de outros apps concorrentes — direta ou indiretamente —, o Bang With Friends já escancara um desejo que é camuflado no Tinder. Este app eu não testei, mas, segundo blogs e sites de notícias, o Bang With Friends é dedicado a um relacionamento sexual casual.  Já o Tinder, como já dito, é o início do conhecer, o primeiro contato. Como Justin Mateen disse, o que as pessoas fazem depois deste primeiro contato depende delas. Mesmo assim, ele mesmo admite que mais de cem pedidos de casamentos já foram feitos por meio do Tinder.  No Brasil, o uso do Tinder foca-se, essencialmente, na paquera; mas, mesmo com esse foco de seus usuários, Mateen diz que, futuramente, o Tinder poderá ser usado para outros objetivos. Por exemplo, conhecer pessoas no contexto dos negócios.

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Hoje, o Tinder faz 3,5 milhões de combinações e mais de 350 milhões de avaliações de perfis diariamente, além de 2 milhões de matches no mundo inteiro. Diferente do Facebook, em que encontramos e mantemos contato com pessoas conhecidas, o Tinder aproxima pessoas desconhecidas — mas que estão próximas, frequentam o mesmo ambiente e/ou têm preferências e gostos similares.

Amizade, mesmo, é difícil prever se será garantida pelo Tinder ou por qualquer outra rede social; mas uma ampliação da rede, das possibilidades de compartilhamento, isso é certeza.

Laços sólidos são improváveis, pois a rapidez e o descompromisso com que fazemos as “amizades” são também como as desfazemos. Isto é o que Bauman diz quando fala dos “amigos” de Facebook. O que temos na rede não são amigos, são conexões — relacionamentos fluídicos: facilidade em conectar e desconectar quando quisermos.

Por Anyzaura Voltolini

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