Twitterfiction

Por Thiago Mittermayer

Twitter Fiction Festival 2012

Twitter Fiction Festival 2012

As redes sociais digitais podem assumir funções que vão além do aspecto comunicacional entre as pessoas. Uma propriedade diferente é a de contar histórias de ficção: um game pode ter a função, por exemplo, de narrar uma história, assim como a publicação de uma animação ou de um conto.

A partir daí, objetivo deste post é abordar o aspecto de narrar histórias nas redes sociais digitais, fazendo o recorte para as narrativas ficcionais publicadas no Twitter. E quando uma narrativa ficcional é contada por meio da rede social digital Twitter, ela é denominada Twitter Fiction ou twitterfiction.

O twitterfiction teve seu inicio em meados de 2008 e 2009. Suas histórias chegaram a ter tanta importância que, em 2012, o próprio Twitter realizou o Festival Twitter Fiction. No post de publicação do festival, a própria equipe do Twitter já argumentava que a plataforma de microblogging é um lugar para contar histórias — sejam sobre notícias, política ou talvez esportes e música — e enfatizava que a rede social é um excelente lugar para contar, particularmente, histórias ficcionais.

A pesquisa acadêmica na área não ficou de lado; por exemplo, há o artigo “Twitterfiction: a subversão pop da informação no twitter”, de Fábio Fernandes (2009). Fernandes até chegou a escrever alguns twitterfiction para a Thaumatrope, magazine de twitterfiction para os gêneros de ficção científica, fantasia e horror.

No início, a grande maioria dos twitterfictions tem começo, meio e fim em apenas um tweet, o qual permite no máximo 140 caracteres — mas isto não é regra.

Tem-se aqui algumas questões essenciais:

Como narrar histórias no ciberespaço?

Quais são os processos e os métodos para se construir tais narrativas?

As respostas são difíceis; e o caminho, árduo, consideradas a diversidade, volatilidade e mutabilidade do ciberespaço. Mas talvez sejam estas as razões para essas histórias atraírem tanto as pessoas nos dias de hoje.

Um exemplo de twitterfiction foi o da escritora Jennifer Egan’s chamado “Black Box”, publicado no twitter de ficção da revista The New Yorker em 2012. A autora desenvolveu a ficção por meio de uma lista de histórias em que o tema era a indagação de um narrador com suas anotações. Mas muitas pessoas reclamavam que os tweets eram muito vagos, dispersos: muitas vezes, o público não tinha o entendimento da história.

Outro exemplo de twitterfiction foi a história de mistério criada por Elliott Holt. As principais razões pela qual Holt conseguiu obter sucesso foram a trama, na qual o leitor tem que decifrar se o a morte do personagem foi suicídio, acidente ou um assassinato; e o fato da autora estabelecer sentido e ligação entre os tweets.

Holt conta a história aproveitando o que o Twitter oferece de melhor como meio, e não fazendo com que a plataforma se adapte à história. Uma lição é exatamente que a história tem que adequar-se à estrutura do Twitter e não contrário. Por exemplo, ao criar e configurar perfis para seus diferentes personagens, a autora amplia o contexto da narrativa. Holt planeja a história de acordo com a forma do meio e estabelece um fluxo narrativo para a mesma, o que é ótimo para os leitores, pois, assim, é possível maior imersão a partir da interação via tweets.

O twitterfiction, além de ser publicado no Twitter, foi divulgado no Storyfy, site que permite a construção de histórias por meio de conteúdos já publicados nas mais diferentes redes sociais digitais.

Finalizo este post com menção à palestra “Adventures in Twitter Fiction”, de Andrew Fitzgerald, para o TED — fundamental para o presente texto. Fitzgerald é gerente no próprio Twitter e foi um dos responsáveis pelo Festival de Twitterfiction em 2012.

Os questionamentos de desfecho são:

O twitterfiction já se consolidou ou ainda tem muito a evoluir?

É possível estabelecer características, processos e métodos para criar narrativas para as redes sociais digitais?

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