Webradiojornalismo móvel: a nova maneira de consumir informação

Webradiojornalismo

Webradiojornalismo

Cada vez mais, as pessoas consomem e produzem notícias por meio do que hoje ainda é chamado de telefone celular. Os modelos de aparelhos evoluem freneticamente e cada um traz mais possibilidades do que o outro. Em 2012, nos Estados Unidos, 100% dos aparelhos celulares possuíam rádio embutido, ao passo que, no Brasil, a porcentagem era de 40% no período. A maneira progressiva com que a indústria embarca emissoras de rádio e aplicativos nos celulares condiz com um tempo de convergência dos meios — e mesmo de pós-convergência.

A multimídia é elemento fundante da era do webjornalismo. Muito além do jornalismo, trata-se da possibilidade de produzir vídeos, slideshows e microdocumentários muitas vezes com esmero estético apurado, o que inclui roteiro e trilha musical. E já que tudo (áudio, vídeo, imagens em movimento, gráficos animados etc.) é circundante e vem convergindo na mesma linha do tempo da web, podemos chamar o que presenciamos de pós-convergência.

As cabeças que pensam navegação devem trabalhar, dia após dia, para embutir aplicativos de forma a não ser mais preciso ir atrás deles, pois estarão incorporados.

O que se pode levantar agora são as primeiras características dessa mudança — não somente no consumo do jornalismo, bem como no fazer jornalismo. Uma delas é a concisão, que já vem dos meios eletrônicos, do rádio e da TV. Porém, a rádio inaugura a participação instantânea pelo celular.

O conceito de radiojornalismo — cumpre assinalar — precisa ser buscado (e repensado) na história do rádio. Não cabe aqui, obviamente, contar a história do radiojornalismo; mas convém lembrar que suas transformações, nos últimos tempos, levaram ao advento das rádios segmentadas em jornalismo 24 horas, as chamadas all news — o que é possível comparar, grosso modo, com o conteúdo nas redes de fluxo no tempo da cotidianidade.

Novas perspectivas do radiojornalismo

Interessou a esta ponderação também a tentativa de pensar e projetar uma programação que captasse a natureza das comunidades dentro das redes sociais. É possível agrupar internautas que frequentam determinados locais cartografáveis e, assim, provocar a troca de informações dos lugares escolhidos para difusão aos demais da rede. O intuito ainda é fazer com que os participantes tomem o posto de locutores e gravem suas impressões, sugestões e conselhos, como apontamentos urbanos sobre o local em questão, diretamente para a comunidade.

O serviço digital surte efeito tanto para um registro de memória como marca quanto para apenas um indício de flaneurismo; e a busca de lugares que interessam à audiência poderá ser feita pelo sistema de geotag: conforme se assinalam as sugestões apontadas no mapa, qualquer um encontra seu objetivo (um lugar, pessoa em dado local etc.), facilmente, procurando pela categoria que lhe caberá dispor.

A constatação mais evidente é que a estratégia de divulgar uma ação ganha reforço estrondoso com o uso dos dispositivos móveis, cada vez mais fáceis de serem carregados pelas pessoas em seu cotidiano.

O jornalismo móvel, ubíquo, o jornalismo colaborativo, feito pelo usuário, o jornalismo cidadão, participativo e o jornalismo hiperlocal, global, geolocalizado estão todos imbricados.

Nos últimos anos, mais precisamente com a chegada do Twitter, a mídia passou a checar as informações nas redes sociais mais amiúde. Já o fazia na época da febre do Orkut, mas, com o advento das tuitadas frenéticas que passaram a ganhar força de espalhamento de informação, os jornalistas precisaram mudar o dia-a-dia da checagem das notícias. No entanto, Castells (2011, sem página) argumenta que “na medida em que há uma mudança organizativa e tecnológica no entorno da comunicação, mudam também os processos de comunicação, e como consequência as relações de poder”. E continua:

Qual a mudança fundamental que temos observado nos últimos anos? É a passagem de um sistema totalmente dominado pela comunicação de massas, e centrado nos meios de comunicação de massas, para um sistema que chamo de autocomunicação de massas, através da internet. […] Por autocomunicação de massas podemos entender a capacidade de cada pessoa para emitir suas mensagens, selecionar as que quer receber e organizar suas próprias redes – nas quais os conteúdos, as formas e os participantes são definidos de forma autônoma.

É notório observar esse espaço infinitamente maior a que Castells se refere. A internet amplia a voz de quem já estava habituado a se manifestar e dá voz a quem nunca teve. Castells afirma, ainda, que é possível organizar “redes horizontais de comunicação interativa, que chegam à sociedade por meio de pessoas, interesses, valores e grupos sociais não representados pelos sistemas corporativos de poder”. Em consequência, diz ele, ampliou-se extraordinariamente o espaço para a comunicação conflitiva e o “espaço de autorrepresentação das pessoas na sociedade”.

A rádio que acompanha os novos tempos e a evolução da tecnologia não é, definitivamente, aquela que facilmente é produzida. É uma rádio que necessita de uma dose de pertencimento na produção e trabalha os diversos aparatos para oferecer diferentes possibilidades de conteúdo.

De todas as possibilidades de proveito dos dispositivos móveis, a tendência de geolocalizar, taguear e informar com anotações urbanas é o ponto de pós-convergência do propósito, na qual articula alguns dos potenciais tecnológicos da audiofonia. Após décadas do surgimento da cibercultura, com a explosão da www, o potencial da Web 2.0 e o avanço da websemântica, segundo Santaella (2008), “a cultura da mobilidade, uma variação avançada da cibercultura, baseada nos dispositivos móveis, aliados ao sistema de posicionamento global (GPS), já começa a render frutos que têm chamado atenção de artistas e de teóricos e críticos”.

Ficaremos por aqui apenas em algumas das inúmeras possibilidades que um aparelho celular oferece para ampliarmos e indexarmos conteúdo — tanto para produzir e editar, quanto só para consumir.

Por Magaly Prado

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s