Entre meios e fins

Apesar das complexidades que o mundo nos traz a cada dia, penso que alguns segredos permanecem nas coisas mais simples da vida, como aprender a práxis dos transportes públicos de uma cidade. Definitivamente, não é fácil descobrirmos intuitivamente essas questões. Toda vez que estamos no papel de turistas ou visitantes, a primeira barreira enfrentada é a compreensão do funcionamento do transporte, especialmente os ônibus: dá-se sinal? Tem cobrador? Passe eletrônico? Sistema integrado? Os pontos servem todas as linhas? Em qual porta deve-se entrar? Lembro que até o fim dos anos 1980 em São Paulo entrávamos pela porta de trás do ônibus e saíamos pela frente. Na época do Jânio e seus vermelhinhos da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), o sistema inverteu e tivemos que nos acostumar a entrar pela frente. Sorte que, pelo menos neste quesito, ficamos como muitas outras cidades ao redor do mundo.

Desta vez, a cidade que visitava era Boston: mais um sistema de transporte público para aprender e, no plano, a intenção de conhecer o MIT. Assim que entrei no ônibus 1 em direção à Harvard Station, já fiquei ansiosa por entender como solicitar a parada no ponto que o mapa indicava: MIT Museum. Ao passar a ponte da Massachussets Avenue, que liga Boston à Cambridge, percebi que não demoraria muito para que o ponto chegasse. Sem ver nenhum botão para pedir a parada, resolvi que acompanharia quem descesse no próximo ponto, sem hesitar; afinal, teria melhores condições com um mapa em mãos e os pés em dia para uma longa caminhada do que se ficasse sentada no ônibus, esperando entender seu funcionamento. Em vez de seguir a destreza do mapa, caminhando diretamente para o museu, preferi a ousadia de me misturar a um grupo de estudantes que entrava no prédio principal do instituto. Acabei mudando completamente o trajeto, percorrendo diversos corredores, institutos e becos que não imaginaria encontrar no pré-conceito que mantinha do que seria uma universidade — nos moldes brasileiros. Ao fim, foram tantas experiências interessantes pelos arredores que a visita ao museu perdeu grande parte do viço. Um pouco da vida que circula nos arredores do MIT encontra-se nas imagens que seguem, enviesadas entre meios e fins.

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Por Mariane Cara

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Um comentário sobre “Entre meios e fins

  1. Silvia disse:

    Você descreveu bem essa sensação de estar numa cidade e não saber como coisas básicas funcionam, desde o transporte coletivo até a descarga dos banheiros públicos (a começar pelos aeroportos) e as torneiras (idem). É todo um mundo muitas vezes desconhecido que nos mostram os hábitos de outras comunidades. E andar sem mapa é a grande sacada!

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