Imago

Green Swirl Floral Vector Illustration (http://www.vectoropenstock.com)

Uma palavra não sai de minha cabeça nos últimos dias. Curta e forte, ela insiste em me pungir, até nas horas mais banais, perturbando-me com suas tantas desambiguações.

Falo da multiplicidade de Imago, tanto como a etimologia, de raiz latina, da palavra imagem, quanto como conceito cunhado por Lacan em seu Estádio do Espelho de 1949, quando diz que “a função do estádio do espelho revela-se para nós desde então como um caso particular da função da imago, que é a de estabelecer uma relação do organismo com sua realidade ou, como dizemos, do Innenwelt com o Unwelt.”.

Mas, para além destas duas cargas conceituais, soma-se uma terceira, que tem mais relação com os propósitos deste post. Pensando na metamorfose das redes sociais em 2012, foi impossível não passar pela lembrança do termo imago como a forma adulta das borboletas — logo após a etapa de crisálida, quando, cansadas de sua vida de ostracismo, surgem belíssimas, multicoloridas, livres para voar.

E qual a intenção da analogia com o derradeiro estágio das borboletas? Ao perceber a grande mudança das redes neste ano, quando passamos da fase onde “o conteúdo era o rei”, para a fase onde as imagens imperam, soberanas, vemos que estamos num momento que também poderia ser chamado de Estágio Imaginal, emprestando o termo dos holometábolos.

(Pausa no texto) — caso você esteja lendo este post no curso das palavras sequenciais, sugiro que faça o retorno e clique no último link indicado para conferir o artigo “The rise of visual social media”, escrito por Ekaterina Walter no final de agosto.

Tanto nos dados apresentados pela autora quanto na nossa rotina diária de acesso às redes, vemos uma imagerie (produção de imagens) incomensurável. Facebook adquirindo Instagram, Pinterest como o expoente do momento e Twitter funcionando como um local de compartilhamento de imagens em geral — restando pouquíssimos textos interessantes, diretos, sendo apenas compostos nos 140 caracteres.

Em último grau, vemos que os comentários, os “likes”, os compartilhamentos e os virais funcionam quase que exclusivamente a partir da polissemia das imagens.

E como não se encantar com esta imensa seara semiótica?

Por Mariane Cara

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Um comentário sobre “Imago

  1. Cíntia Dal Bello disse:

    Mariana, acho incrível o poder de sedução que as imagens têm. Veja: a mesmíssima frase, banal ou profunda, se apenas “digitada”, não causa o mesmo alvoroço quando exposta como um (insignificante ou belíssimo) cartão postal. Na época do Orkut, as imagens piscavam e tocavam musiquinhas… Isso era considerado “popular” demais pelos membros recém-chegados ao Facebook. E agora… De Piaget a Freud, ou do Sr. Madruga à Carminha (mais nova vilã global)… rolam pelos feeds imagens de frases compartilhadas e curtidas por todos. Estranho… muito estranho esse nosso mundo!!!

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