As novas relações comunicacionais a partir do telefone celular e sua expansão no Brasil

 “Estou conectado, logo existo.”
Kenneth Gergen

O telefone celular, atualmente, faz parte da vida das pessoas. Podemos, inclusive, pontuar que esses são extensões de nosso próprio corpo (Santaella, 2007). Conforme nos explica Santaella (2007: 231): “[atualmente] qualquer parte do mundo se tornou acessível ao toque de minúsculos dígitos de um pequeno aparelho que quase cabe na palma de uma criança”. Não há dúvidas que os celulares modificaram o comportamento das pessoas na sociedade e, principalmente, a maneira de nos comunicarmos. A autora explica ainda que:

agora, os celulares computadorizados são menores que os mouses dos desktops, movem-se por todos os lados, companheiros inseparáveis de seus donos, que o levam até para o banheiro. Por meio de GPS (Global Positioning System), os celulares sempre sabem onde estão. Ligados a câmeras fotográficas e a sensores meteorológicos, químicos, biológicos, médicos e de raio gama, tornaram-se pequenas criaturas sensíveis, quase vivas. (SANTAELLA, 2007: 231)

Dessa maneira, verifica-se que os celulares fizeram com que as pessoas se tornassem dependentes deles o que transformou a conduta e os hábitos de diferentes sociedades no mundo todo.

No Brasil verifica-se conforme dados da Telecom (2012) que as estatísticas de celular apontam que, pelos dados da Anatel, o Brasil alcançou, em fevereiro de 2012, a marca histórica de 247,6 milhões de celulares, o que supera os 192 milhões de habitantes do território brasileiro. Tais dados evidenciam o aumento do consumo desse aparato tecnológico no contexto brasileiro. Dessa maneira, podemos visualizar os gráficos a seguir, nos quais se verifica o crescimento excepcional dos celulares no Brasil no período de 2011 para 2012:

GRÁFICO 1. FONTE: Disponível em: <http://www.teleco.com.br/ncel.asp> Acesso em: 25/10/2012

Celulares em 2012

Nota: celulares ativos na operadora. Densidade calculada com a projeção de população do IBGE (Rev. 2008) para o mês respectivo.

Destacamos que ainda há outros dados que corroboram a afirmação da profusão e impacto dos celulares no cotidiano do brasileiro. A pesquisa que o Extra (2012) divulgou sobre um infográfico traz uma visão geral sobre o uso do celular no Brasil, incluindo informações sobre chamadas por voz, envio de SMS, transmissão de dados e perfil dos usuários, conforme informações do Mobilepedia (2012), que diz:

Primeiramente o infográfico indica que já existem mais aparelhos celulares do que pessoas no Brasil. Nosso país conta com uma população de 192 milhões de brasileiros e um total de 224 milhões de celulares. Em relação ao tipo de plano adotado pelos usuários, o estudo afirma que à medida que a idade dos usuários sobe, mais aptos eles estão a usar planos pós-pago, mas que porém a realidade brasileira ainda conta com a maioria dos planos pré-pagos. As funções do celular estão cada vez mais sendo utilizadas pelos usuários, uma vez que apenas 11% utilizam o celular somente para chamadas e mensagens de voz e 40% dos usuários utilizam o celular para dados mais avançados, como SMS, Jogos e armazenamento de conteúdo multimídia. Em geral as mulheres enviam mais MMS que homens, mas os homens ganham essa disputa quando se trata de SMS. Por fim o infográfico mostra como acesso móvel no Brasil é concentrado, sendo que 24% de todo o acesso móvel é do estado de São Paulo e confirma o crescimento da banda larga móvel, que desde 2009 ultrapassou a banda larga fixa.

O infográfico referido no texto da Mobilepedia (2012) é este apresentado abaixo, no qual se pode observar o crescimento dessa mídia no território brasileiro:

GRÁFICO 2. FONTE: INFOGRÁFICO “O uso do celular no Brasil”, divulgado pela Extra.com.br, e disponível em: <http://www.mobilepedia.com.br/ noticias/extra-divulga-infografico-sobre-o-uso-de-celular-no-brasil> Acessado em: 25/10/2012.

Destaque-se, assim, que o aumento do número de celulares no país é impressionante. Acredita-se que essa rápida adesão deva-se ao fato desses serem, conforme salienta Santaella (2007: 232):

leves, uns verdadeiros mimos, vão para onde vamos, pequenos objetos de estimação, nos bolsos, nas bolsas, colam-se ao nosso rosto, e, por meio de protocolos simples de uma interface amigável, seus infinitos fios invisíveis nos põem potencialmente em contato com pessoas em quaisquer partes do mundo.

Ao refletirmos sobre os avanços e impactos trazidos pelo telefone celular, devemos destacar que, a partir da aparição desse aparelho móvel, passamos a poder nos comunicar com qualquer pessoa, em qualquer hora e em qualquer lugar. Logo, o celular transformou a nossa percepção do espaço e a forma de comunicar-nos.  A partir deles, passamos a obter maior versatilidade, uma vez que, com esse dispositivo móvel, passamos a ter mobilidade.

Com um celular em mãos, temos o dom da ubiquidade. Santaella (2010: 17) nos explica que “a ubiquidade destaca a coincidência entre deslocamento e comunicação, pois o usuário comunica-se durante o deslocamento”. Assim, agora podemos estar em qualquer lugar, tanto espacialmente quanto temporalmente e, ainda, estarmos realizando inúmeras atividades: conversando, jogando, verificando seus e-mails e redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter etc.), localizando-se por meio do GPS, dentre outras muitas atividades. Essas características — versatilidade e mobilidade — são avanços tecnológicos que permitem ao usuário midiático o dom da ubiquidade.

Assim sendo, alicerçados em Santaella (2010), destacamos que a ubiquidade permite ao usuário uma onipresença, pois o sujeito pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, o que potencializa nossa capacidade de nos comunicarmos em ato. Além disso, como se verificou nas pesquisas da Telecom (2012) e no infográfico do Extra discutido pela Mobilepedia (2012), o dispositivo de comunicação móvel, celular, está em expansão no Brasil e já superou o número de habitantes em nosso país — o que significa que temos, em média, quase dois celulares por habitante. Depreendemos, ainda, que essa nova tecnologia se desenvolve e cresce a cada dia, fazendo com que seus usuários se tornem cada vez mais dependentes dela para se comunicarem, o que cria uma espécie de neurodependência eletrônica de seus usuários.

Por Patricia Coelho

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