O circuito dos afetos

Ilustração de Lita Hayata

Segundo números da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o Brasil conta hoje com mais de 176 milhões de terminais móveis ativos. Dados importantes relativos a 2011 encontram-se no impressionante crescimento do acesso às redes sociais digitais (Facebook, Twitter, Linkedin, Orkut) por meio dos dispositivos móveis. Os terminais móveis devem ser, sem dúvida, os grandes responsáveis pela contínua participação — de qualquer lugar, em qualquer momento — dos usuários nessas redes que se tornam mais acessíveis graças à mobilidade. A informação, o contato e a participação passam a acompanhar a pessoa onde quer que ela vá ou esteja: a nuvem da Internet é onipresente e, infatigavelmente, ela desce para o usuário, dia e noite, ao toque de seu dedo.

No estágio de desenvolvimento atual, equipamentos móveis são pequenos dispositivos interconectados a plataformas Web e com ótima qualidade de resolução para áudio, vídeo e imagem, além de distribuição imediata local e mundial. As plataformas de redes sociais, por sua vez, operam a partir da criação de perfis que representam os usuários. Assim, elas oferecem serviços de mensagem instantânea, murais de mensagens, postagem de fotos e vídeos, entre outros. A popularização desses serviços faz que, com cada um desses perfis, criem-se pontos de referência para a identidade digital de alguém. Ademais, as redes sociais vão além de outros serviços apresentados na rede, porque agregam as funcionalidades dos demais e permitem socializar os passos que cada um dá nas redes, acionando os recursos para tanto. O envio de fotos e a gravação de transmissão in directo de vídeos, por exemplo, fazem com que a pessoa que dispõe de um aparelho móvel com câmera passe a ter o potencial de uma emissora de TV individual. É claro que nem todas as pessoas criam conteúdos; mas, o simples fato de ter acesso já é, em si, uma mudança importante rumo à democratização das comunicações.

O smartphone é hoje uma ferramenta bastante utilizada por departamentos e empresas de recrutamento de profissionais em todo o país. Ainda que o laptop seja o dispositivo mais usado para acessar redes sociais, o uso de smartphone para o mesmo fim tem apresentado crescimento significativo, mostrando ser uma clara tendência no setor. Um número cada vez maior de empresas brasileiras conta com páginas nas redes sociais e setores responsáveis pela pesquisa nessas redes.

Os brasileiros gastaram seis horas por dia em redes sociais em 2011, número semelhante à média global e de outros países da América Latina. O Facebook, com 36,1 milhões de usuários, ultrapassou o Orkut em número de usuários no Brasil. Outro dado expressivo aponta que 34% dos brasileiros entrevistados disseram utilizar o Facebook para trabalho, ante 16% dos consultados no ano anterior. O Twitter, em 2010, foi acessado, para uso pessoal e profissional, por 23% dos brasileiros entrevistados. Já em 2011, foi usado por 25% dos consultados. Essa plataforma teve maior acesso no Brasil do que em outros oito países pesquisados. Segundo pesquisa realizada pela Frost & Sullivan, o Brasil foi o país em que o Linkedin mais cresceu no último ano, aumentando sua base de usuários em 428%. O Brasil é hoje considerado país estratégico para as grandes redes sociais globais como Facebook, YouTube e Linkedin.

As razões para o avanço meteórico das redes sociais não podem ser buscadas nas ditas sociedades disciplinares e de controle. As redes sociais são regidas pela auto-organização, autodisciplina e autocontrole internos — que são próprios aos sistemas abertos e dinâmicos, fora do equilíbrio. O big bang das redes sociais explodiu e deixou seus criadores tão enormemente ricos porque estes deram o tiro na mosca: o poder das redes é o poder dos circuitos dos afetos. Nelas falam as afecções, as afetividades, as emoções, a superfície à flor da pele dos sentimentos. E aqueles que acham isso pura bobagem, deveriam consultar o relógio do tempo: irão certamente se encontrar naquele tempo das racionalidades cartesianas sisudas e nostalgias fora de lugar.

Por Lucia Santaella

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2 comentários sobre “O circuito dos afetos

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