Talkin’ ‘bout my generation

Há uma semana, o mundo assistiu ao encerramento das olimpíadas com um mashup da cultura pop britânica — numa mistura que trouxe de Annie Lennox a George Michael, de Take That a One Direction e que permitiu a performance de diversas gerações em uma só apresentação. Este foi o caso de Ed Sheeran, 21 anos, dividindo o palco com Mike Rutherford (Genesis), 62 anos; Nick Mason (Pink Floyd), 68 anos; e Richard Jones (The Feeling), 38 anos: três gerações de músicos para cantar Wish you were here, do Pink Floyd.

O grand finale desta “symphony of british music” não poderia ser outro, senão a emblemática My Generation, do The Who — banda conhecida por suas Óperas Rock. Entre estas há o álbum intitulado Tommy, que relata a vida de um jovem nascido no pós-guerra, traumatizado com sua vida familiar, e que, por este motivo, se tornou surdo, cego e mudo — mas conheceu a fama a partir do jogo de pinball e alcançou a cura por meio do reconhecimento de sua imagem no espelho.

O som de My Generation é a representação máxima da Swinging London do final dos anos 60, que espalhou para o mundo a febre juvenil dos redutos de Westminster e criou tendências a partir das figuras excêntricas que circulavam pela agitada Carnaby Street, atendendo pelo rótulo de Mods. De maneira provocadora, em 12 de agosto de 2012 vimos Roger Daltrey, no auge dos seus 68 anos, finalizando os jogos olímpicos Talkin’ ‘bout his generation.

A My Generation de Daltrey nãoé a tão celebrada geração dos Millennials, que cresceram sob a égide dos computadores; também não é a geração X, “cliptografada” pela MTV; mas, nem por isso, é uma geração que deve ser desconsiderada quando o assunto é redes sociais da Internet. É nesta provocação que este post se insere, com o intuito de lançar na pauta o aspecto multigeracional das redes — estes locais desterritorializados onde encontramos fenômenos como o relatado no primeiro parágrafo. Pessoas de 70 ou 80 anos no mesmo barco dos trintões, que se mesclam com jovens de vinte e poucos anos, que por sua vez compartilham as opiniões com os teens: todos coexistindo nas redes, com potencialidades semelhantes, a despeito de suas diferenças etárias.

Para começarmos o exercício multigeracional nas redes, um ponto importante é ver com lentes “realistas” as peculiaridades e ritmos das diversas coortes (grupos de pessoas que compartilham época e eventos importantes), sem exagerar nas adjetivações dos nascidos em 1990/2000, nem reservar aos mais velhos um distintivo anacrônico. E esta não é uma tarefa fácil: atualmente, encontramos uma defesa massiva das novas gerações. E isto acontece não só quanto ao uso das redes sociais, como em todas as tendências de mercado, a partir dos coolhunters — que se baseiam, essencialmente, nos dados catalogados em entrevistas e observações do universo jovem para definir os rumos de diversos setores da economia. O fato é que, diferentemente das décadas anteriores, não são apenas os jovens os consumidores vorazes designados pelo marketing como target (público-alvo): dados de uma pesquisa realizada em 2011 indicam que os usuários com mais de 60 anos representam 7% dos internautas, sendo que 71% declaram acessar as redes sociais. Este é um número a ser considerado, a despeito de qualquer viés da pesquisa.

Finalizo este texto na biblioteca da PUC, onde, à minha frente, vejo sentado um senhor com seus 70 anos — camisa social alinhada, óculos tradicionais, semblante compenetrado. O que ele faz? Digita freneticamente em seu laptop, corretamente munido com seus fones de ouvido, para manter a descontração ao som de suas músicas favoritas — ou daquele programa tradicional de rádio, que ele ouve há mais de uma década. Não resisti e saí do lugar para conferir sua tela: lá cintilava uma rede social, onde ele se atualizava nas novidades com seus outros tantos amigos conectados — quase todos provavelmente nos seus mais de 60 anos de idade.

Qual é a geração de que devemos falar? Ora, Talkin’ ‘bout ALL generations!

Por Mariane Cara

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