A Vida Repleta de Objetos

A sala Paulo Freire, localizada no saguão superior do Tuca, mede 115 m² e reúne 82 assentos vermelhos. Dispõe de “iluminação básica”, “datashow” e “sistema de som” — tal qual indicado em seu registro geral, emitido por um arquiteto, um engenheiro ou qualquer de nós, desde que munidos de fita métrica e sistema de contagem. A matemática das coisas. Reunidos numa sala da PUC–SP, 31 de maio de 2012, 8 integrantes do grupo de estudos Sociotramas receberam a seguinte incumbência: fazer sentarem 82 pessoas sobre as 82 cadeiras revestidas em polipropileno, cujo conforto seria garantido pelos blocos de espuma incrustados no espaldar e na base. A ata da reunião foi publicada no Facebook e um exército de “joias” fez seu check-in. Os 8 restantes somaram-se aos 8 primeiros — e foi a última notícia de uma unidade numérica. Mas não daquele número em particular.

Dia 8 de junho e a primeira fornada dos quase 200 emails trocados deu início ao alistamento: designers, fotógrafos, assessores de imprensa, recepcionistas, comitiva de boas-vindas (para convidados brasileiros e estrangeiros), divisão de tecnologia (Wi-Fi, som, telão, streaming, projeção, microfones e notebooks), suporte (água, papel, caneta, mapa do entorno, cafeteria, púlpito, toda sorte de material gráfico etc.). E tantos outros ofícios quanto às exigências surgidas num brevíssimo e, quase no mesmo átimo, atendidas por um dos nossos.

Duas semanas depois, em 22 de junho, o endereço facebook.com/AVidaDosObjetosSP subiu aos ares digitais; e, parcas horas seguidas à criação do formulário para inscrição — um arquivo produzido com ajuda do Google Docs, ferramenta gratuita de compartilhamento online — 71 dos 82 assentos já estavam ocupados. Às 8h34 do árido 23 de junho, a 67 dias do simpósio, um doutorando da USP garantiu a 82ª. poltrona da Sala Paulo Freire. A jornalista da Faculdade Cásper Líbero arrematou a 100ª., o antropólogo da UFMG tomou a de número 152, o designer e aluno da Hochschule Bremen University of Apllied Sciences alcançou a confortável 263 e a bibliotecária da UFSCar, a 351. Até que, no dia 31 de julho, quando as inscrições foram encerradas, a professora da UnB adquiriu o último espécime almofadado da maior instalação do Tuca, seu Teatro Principal. Projetado para receber 672 espectadores, o Teatro da Universidade Católica de São Paulo reservou 571 cadeiras para os interessados na existência íntima dos objetos.

Afetados pelo assombroso êxito, a tropa formada por alunos de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos — todos integrantes do grupo — vestiu-se de preto, encaixou no pescoço um crachá, empunhou canetas, iPads, notebooks, telefones celulares e câmeras fotográficas: um arsenal de objetos tecnológicos para acolher os inúmeros participantes durante dois dias de intensa luminescência. A conferência de abertura, proferida pela professora Lucia Santaella, iluminou a penumbra das esquinas atravessadas ao longo. Fizemos daqueles 82 primeiros assentos uma cama elástica. Nós, do Sociotramas, agradecemos aos organizadores do evento, palestrantes, participantes e colaboradores anônimos que contribuíram para um aprendizado sem medida. A razão das coisas. E aos insondáveis objetos, loa, por se deixarem auscultar.

Confira as fotos do evento:

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Os integrantes do Sociotramas.

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