As Múltiplas Habilidades dos Nativos Digitais

McLuhan é o autor que primeiro atentou para o fato de que as tecnologias transformam os mais diversos tipos de relações humanas. Na atual conjuntura, (con)vivemos com os nativos digitais. A geração desses nativos definitivamente alterou os rumos da comunicação, bem como da educação: ambas tiveram que se reorganizar para poder atendê-los. Assim, não podemos pensar a comunicação e nem a educação a partir de paradigmas retrógrados, pois os avanços tecnológicos mudaram as formas de ser, agir e pensar dos seres humanos que interagem a todo momento com as mídias-meios digitais.

Prensky, no seu livro sobre o tema, nos diz que os nativos digitais têm capacidade para realizar múltiplas tarefas, o que representa uma das características principais dessa geração. Isso pode ser observado nestes dois links ( 1 e 2), que são vídeos sobre crianças produzindo anúncios publicitários. O diferencial desses vídeos é que  suas protagonistas não são especialistas, mas sujeitos que já nasceram no meio digital e, por suas correlações com esse meio, adquiriram competências que lhes deram suporte suficente para montar narrativas audiovisuais de curta duração com elementos altamente sofisticados. Entre estes estão, por exemplo, música de fundo, efeitos de visualização dos textos verbais e recursos de câmera, bem como de editoração (roteiro, produção, corte e montagem). Selecionamos algumas imagens desses vídeos:

Os links selecionados no Youtube, nos  trazem crianças nativas digitais que criam suas próprias propagandas. Destacamos, ainda, que essas não tiveram aula sobre o tema, e que o resultado de tal conteúdo partiu de uma ação espontânea e criativa das mesmas. Nessa experiência, essas crianças acumularam distintos papéis como: roteiristas, produtoras e co-produtoras desse conteúdo, desenvolvendo distintas habilidades e competências com os meios tecnológicos, o que as caracteriza como verdadeiros ciborgues de nosso mundo digital, como já salientou Santaella.

Esse fato evidencia, então, que a contemporaneidade insere-se na lógica da informação, graças às transformações tecnológicas, que também exigiram e refletiram mudanças na cultura. Isso ganhou maior intensidade e se expandiu nos anos de 1990, quando houve a difusão do computador e das redes (internet). Os avanços tecnológicos concomitantes a esse mesmo período impactaram e transformaram as relações comunicacionais. A geração dos nativos digitais definitivamente alterou os rumos da comunicação e educação de tal maneira que tiveram (e ainda têm) que se reorganizar.

Temos como exemplo a ação do Governo Federal que propôs a iniciativa do Projeto UCA — um computador por aluno, em desenvolvimento desde 2007. Mais recentemente, observamos que, a partir do segundo semestre de 2011, selecionou-se um grupo-piloto de docentes para receber um tablet cada (UTA); dessa forma, foram distribuídos pelo Governo Federal cerca de 600 mil aparelhos.

Esses dados demonstram que muito há para pesquisar sobre as maneiras de compreender essa nova geração. Parece que  avançamos um passo, pois estamos voltados para a reflexão sobre as necessidades dos nativos digitais, de maneira que possamos melhor acolhê-los: o mundo digital está em expansão e, com ele, seus nativos e suas interações socioculturais.

Por Patrícia Coelho

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3 comentários sobre “As Múltiplas Habilidades dos Nativos Digitais

  1. Maria Helena Charro disse:

    Esta é uma das ações espontâneas dos nativos digitais que consomem a tecnologia como mais uma mercadoria, um brinquedo que amplia habilidades. Mas esse fenômeno é apenas um dos aspectos da lógica da diversidade contemporanea.. espero que sim.

  2. Bernardo de Aguiar disse:

    Essa é também a incorporação da própria dinâmica do “neoliberalismo”, que transformou cada um de nós (crianças ou adultos) em publicitários, “marketeiros” e empresas de “si mesmo”, alimentando a roda com “sutil subversão” de valores. A habilidade de um “Digital Native” com o MEIO está atrelada não só ao domínio de seus mecanismos ou à uma nova forma de produção de subjetividade, mas adicionalmente segue a lógica de “domesticação” para o funcionamento capitalista, tal como aconteceu com a “Educação” (mais ou menos dois séculos atrás), com papel de destaque na produção de mentes aptas à padronização e ao funcionamento da fábrica.

  3. Bernardo de Aguiar disse:

    Gostaria de deixar a dica (caso alguém não conheça) do livro “Sociedade Excitada – filosofia da sensação” do alemão Christoph Türcke. O mesmo serve como contraponto para se pensar a atualidade. Interessou-me bastante o capítulo I, com os itens “Propaganda desenfreada”, “Transformação da Indústria Cultural” e “Esse est percipi” (Ser é ser percebido). Abaixo link de uma entrevista com o autor.
    http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/53/artigo192215-1.asp

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