Web Semântica e as Redes Sociais Digitais

Tim Berners-Lee, criador da Web no início da década de noventa e atual diretor da W3C (World Wide Web Consortium), cunhou o termo “Web Semântica” em seu livro Weaving the Web em 1999, tendo Allan M. Collins, M. Ross Quillian e Elizabeth F. Loftus como referências na concepção da ideia. Tanto a Web (World Wide Web) quanto a Web Semântica, encabeçadas por Tim, têm em si traços do projeto Enquire, desenvolvido por Tim enquanto trabalhava no Conselho Europeu de Pesquisa Nuclear nos anos oitenta. A iniciativa partia do princípio de que os computadores são capazes de reconhecer e armazenar associações aleatórias entre diferentes itens de informação, itens de informação editáveis. Uma diferença em relação aos outros é que o Enquire não foi desenvolvido para o público em geral; outra particularidade é a semelhança do Enquire com sistemas de gestão de conteúdo como wikis e blogs. O nome Enquire foi inspirado no livro Enquire Within Upon Everything de Houlston em 1856.

Livro: Enquire Within Upon Everthing de Houlston.

A Web Semântica, movimento colaborativo liderado pela W3C, pretende solucionar o problema do “caos de informações” da teia digital: o volume de informação, conteúdo, e publicações é absurdo e aumenta a cada instante. Só polui os mecanismos de pesquisa e torna a navegação cada vez mais confusa e dispersa.

O principal desafio é conseguir desenvolver tecnologias e linguagens que consigam atribuir um sentido aos conteúdos publicados na Web de tal forma que seja visível tanto pelo homem quanto pelo computador, interligando o significado do conteúdo com os bancos de dados. Resource Description Framework (RDF), Web Ontology Language (OWL), e Extensible Markup Language (XML), são exemplos de linguagens que podem ser projetadas para os dados.

O enfoque da Web Semântica é a organização do conteúdo e a busca por uma interação inteligente do usuário com este conteúdo. O conteúdo não vai se comportar como antes, engavetado; e sim, estará envolvido com o todo. É a web ganhando inteligência artificial e transformando-se em um ambiente cada vez mais humano. Os projetos DBpedia, Linked Data, NextBioeFOAF, são exemplos de projetos experimentais do movimento colaborativo, sendo que o último têm preocupações sociais, voltadas para as pessoas.

Do livro “Weaving the Web” temos este trecho, em inglês, em que Tim fala sobre a Web Semântica: “I have a dream for the Web [in which computers] become capable of analyzing all the data on the Web – the content, links, and transactions between people and computers. A ‘Semantic Web’, which should make this possible, has yet to emerge, but when it does, the day-to-day mechanisms of trade, bureaucracy and our daily lives will be handled by machines talking to machines. The ‘intelligent agents’ people have touted for ages will finally materialize.”

Para um melhor entendimento do tema e de seu amarramento com a temática das redes sociais digitais, trago o vídeo da palestra: “Tim Berners-Lee on the next Web”, realizada em 2009 para o site de conferências TED, na qual Tim explica a Web Semântica, os projetos Linked Data (dados ligados), DBpedia e fala um pouco sobre as redes sociais digitais:

No vídeo, Tim mostra a intencionalidade de atribuir sentido a todos os dados do oceano digital: é a ligação entre o dado e o conteúdo e a ligação destes com outros infinitos dados e conteúdos da Web.

Atualmente, é perceptível a integração da Web Semântica com as redes sociais digitais, mais evidente, por exemplo, no Tumblr e no Twitter, por estes oferecerem eficazes mecanismos de atribuição de valor para o conteúdo (dado) postado. No Tumblr, o usuário etiqueta, ou seja, define as palavras-chave daquele conteúdo postado, por meio do recurso “Tag”, misturando textos, fotos, citações, links, chat, áudio e vídeos não apenas em uma tag, mas em várias. Já no Twitter, o processo é feito pelo caractere # (hashtag), seguido de uma ou mais palavras. Por exemplo: #Espanha, tópico de melhor colocação, no momento da escrita deste post, no recurso Trend Topics, que reconhece quais palavras estão sendo mais digitadas pelos seus usuários nas últimas horas. Esses mecanismos de atribuição de valor facilitam a interação entre usuários que querem discutir um assunto em comum.

Já o Facebook é um caso especial de Web Semântica nas redes sociais digitais, pois sua base de inteligência semântica está orientada pelos recursos básicos de interação: Curtir, Comentar e Compartilhar. Assim, o programa exibe, a partir do recurso “Principais histórias”, as publicações das pessoas com quem você (usuário) mais interagiu. Trata-se, portanto, de um mecanismo conduzido pela quantidade numérica de interações entre pessoas; no entanto, os recursos de interação trazem consigo, também, valores qualitativos. Até o momento, não há nenhum recurso no Facebook por meio do qual o usuário consiga entrelaçar conteúdos similares de diferentes amigos que não se conhecem.

Finalizando, trago este link — a cereja do bolo —, que mostra a Evolução da Web, sob a ótica do crescimento da Internet, dos navegadores e das tecnologias.

Por uma rede semântica social digital!

Por Thiago Mittermayer

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s